sábado, 30 de maio de 2009

Sentidos..

Parece que, sem querer, acordam quando menos esperamos. Ficam completamente despertos, atentos a tudo o que nos rodeia e eles conseguem alcançar. Ficam completamente em alerta..

E quando são despertados por pessoas de quem gostamos muito? Bem, aí, parece que ganham outra vida, captam tudo, sem deixar passar nada..

Ouvimos tudo. O que é para nós e o que não é..

Observamos tudo até ao interior da pessoa..

Sentimos o cheiro do sentimento que transporta nessa altura..

Tocamos o seu estado de espírito..

Ficamos totalmente atentos ali, naquele Ser..

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Se Tu viesses Ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços..

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... A tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca..
Quando os olhos se me cerram de desejo..
E os meus braços se estendem para ti...

FLORBELA ESPANCA

sábado, 16 de maio de 2009

Mais uma noite..

Mais uma noite que vai passando..
Sentada penso no dia que vi fugir à minha frente, como se atrás de si viesse o pior monstro dos meus sonhos de criança.. Vi-o fugir, tão rapidamente que depois de o ver só me resta lembrar e já nada posso fazer para o ver outra vez.. Já vai longe, muito longe..

Enquanto tento recordá-lo, vem bater à porta da minha memória, um sem número de imagens, fotografias que registei deste dia, que passou a fugir.. Vêm sem rei nem roque, em grande confusão, sem qualquer tipo de ordem e eu tenho que exigir um pouco de calma e organizá-las para que possam entrar.

Mais uma noite que está a passar e passará tão mais rápido do que o dia que a antecedeu..
Mais uma noite em que penso e escrevo..


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Colo..


"vidas cruzadas que nos ligam.. Há quem fique a tempo inteiro e se torna colo, abrigo.. quando peito aperta e guarda um respirar acelerado e "acriançado".. Chegar e subir para o colo onde um abraço nos aconchega e acalma o que faz tremer a alma e perder o sentido de segurança.. Hoje guardaram-me num colo para onde subir um devagar apressado.. um colo que ficou a tempo inteiro desde o primeiro momento..

Agradecer é pouco..

A confiança.. é tudo.."



Confiar..

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Escrevo..

Escrevo o que quero..
Escrevo como quero, onde quero, quando quero..
Escrevo por escrever, por ter de escrever, porque me apetece escrever..

Escrevo um escrever meu, só meu, cheio de tudo o que é meu..
Um escrever leve e pesado, duro e suave, com muito e pouco, com tudo e com nada..


Escrevo..





Apetece-me..

terça-feira, 12 de maio de 2009

A pressa..

A pressa que nos molda,
que nos transforma,
que nos diz como fazer tudo,
a pressa que nos arrasta para o stress,
que nos limpa a alma de tudo o que é bom e tem sabor,

a pressa inimiga da virtude,
a pressa...a pressa...a pressa...
somos nos quem a criamos.


Somos nos que a alimentamos
e ela passado algu
m tempo assume um poder sobre nós,
ainda que não queiramos,
ainda que tentemos que não aconteça,
mas é igual a um cão que se revolta contra a mão que lhe deu comida.


A pressa que traz consigo a incompreensão,
a impaciência,
o impedimento de viver cada dia ao máximo,
de gozar os bons momentos
para que eles fiquem guardados
na nossa memória e os maus sejam apagados.
.

A pressa..

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Palhaço Triste..

Um homem,
um público ao redor,
risos soltos ao vento,
alegria e descontracção..
Eis o palhaço,
eis o artista do riso a fabricar gargalhada..
Eis um mortal fingindo-se de eterno riso..
Eis um sofredor como outro qualquer,
solapando o choro, não o seu;
pois na alma, às vezes chora,
às vezes canta com tristeza,
às vezes dói profundamente o seu coração..

Ainda assim ele está lá,
o seu trabalho é este: fazer rir em todos os momentos,
mesmo que em detrimento de seus próprios sentimentos..
É lá, no circo, no palco da alegria,
que o choro, a dor, os sentimentos diversos de um homem só se transfiguram em satisfação e contentamento
de uma grande multidão..
Eis ai o palhaço..
Eis ai o artista..
Eis ai o choro que sorri..
A lágrima que dança..
A dor que alivia..