segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sapatilhas..




Sem inspiração ainda..
Post em construção..


Mas deixa-me muito feliz saber que mesmo longe continuas a participar nos meus vícios loucos =)
Obrigada amiga ( )..

domingo, 12 de julho de 2009

Porque há dias..



No meu quarto há uma janela
Sobre um pedaço do mundo
Na rua estreita
Os prédios seguram o céu

As caras de sempre
Têm dias sorridentes e outros sisudos
Porque de alegria e de tristeza
Cada um tem um pedaço que é o seu

No meu quarto, pela janela,
O sol entra em geometria
Faz desenhos no chão
Pinta-me lume na pele

Rasga sombras teimosas, escondidas,
A reclamar poesia
E voa das mãos pequenas
Que lançam para a rua aviões de papel

Há dias que sopram
Os dias que vão,
Levantam asas
Ou ficam em pedaços pelo chão
Há dias perdidos
E outros sem fim
A colar cada pedaço
Do mundo que se partiu dentro de mim

Nesta rua estreita
Os prédios escondem o resto do escuro
Os caminhos da noite, mais longe,
No resto do céu

Há em cada olhar
A vaga certeza do mesmo rio ao fundo
Mas por dentro do peito
Cada um traz um horizonte que é o seu

Há dias que sopram
Os dias que vão,
Levantam asas
Ou ficam em pedaços pelo chão
Há dias perdidos
E outros sem fim
A colar cada pedaço
Do mundo que se partiu dentro de mim

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cantiga

Já não posso ser contente,
Tenho a esperança perdida,
Ando perdido entre a gente,

Nem morro, nem tenho vida.


Glosa

Depois que meu cruel Fado

Derrubou uma esperança,
Em que me vi levantado,
No mal fiquei sem mudança,
E do bem desconfiado:
O coração que isto sente,
À sua dor não resiste,
Porque vê mui claramente
Que, pois nasci para triste,

Já não posso ser contente.

Por isso, contentamentos,
Fugi de quem vos despreza.
Já fiz outros fundamentos;
Já fiz, Senhora, a tristeza
De todos meus pensamentos.
O menos que lhe entreguei
Foi esta cansada vida:

Cuido que nisso acertei,
Porque de quanto esperei
Tenho a esperança perdida.

Gostos de mudança cheios,
Não me busqueis, não vos quero;
Tenho-vos por tão alheios,
Que do bem, que não espero,
Inda me cansam receios:

De vós desejo esconder-me,
E de mim, principalmente,
Onde ninguém possa ver-me;
Que, pois me ganho em perder-me,
Ando perdido entre a gente.

Acabar-me de perder
Fora já muito melhor,
Por acabar uma dor

Que, não podendo mor ser,
Cada vez a sinto mor...
Em tormento tão esquivo,
Em pena tão sem medida,
Que morra, tão sem medida,
Que morra, ninguém duvida;
Mas eu, se morro ou se vivo,
Nem morro, nem tenho vida.



Voltas

Prazeres que tenho visto
Onde se foram, que é deles?
Fora-se a vida com eles,
Não me vira agora nisto...
Vejo-me andar entre a gente
Como coisa esquecida:
Eu triste, outrem contente;

Eu sem vida, outrem com vida.

Vieram os desenganos,
Acabaram os receios;
Agora choro meus danos,
E mais choro bens alheios...
Passou o tempo contente,
E passou tão de corrida,
Que me deixou entre a gente

Sem esperança de vida.


Diogo Bernardes

terça-feira, 30 de junho de 2009

Muito Obrigada..

Este é o post que me tem custado mais a escrever nos últimos tempos.. E não por ser um assunto desagradável ou irritante, bem pelo contrário.. Escrevo sobre os meus 25 anos.. e sobre a maneira como ainda conseguimos ser surpreendidos por grandes amigos..

Todos sabem que adoro fazer anos.. Não por ficar mais velha, nem por me sentir mais crescidinha, mas por saber que neste dia do ano tenho reunido todos os meus grandes amigos.. E não é de hoje, é desde que me lembro como gente que neste dia reúno todos aqui em casa..
E este ano não foi excepção..


Talvez um ano especial, por serem 25 anos.. 300 meses.. meio século..


Talvez um ano especial, por perceber que ainda preservo amigos de longa data..


Talvez um ano especial, por perceber a importância de cada amigo na minha vida..


Talvez um ano especial, por perceber que também consigo ser surpreendida..


Muito obrigado a todos aqueles que durante este fim-de-semana...
Me lembraram da palavra esperança..

Bem como a palavra Amigos..



sábado, 20 de junho de 2009

Sonhos..

Brilha no céu desta Noite escura, a luz dos sonhos. Encontro-me, dispersa em pedaços, na realidade com que me cruzo, apenas no meu mundo que é real.

Esta é a utopia que me inspira, uma vida por inventar. É a vida, renascida das cinzas apagadas de alguém.. espero um sopro de vida, que o vento surge nas asas da minha alma.

As asas ficam, penduradas no armário do esquecimento, fazendo-me perder o equilíbrio conseguido para voltar a voar. Não há sonhos, nem presenças constantes, apenas a ausência se perde neste imenso e desolado mundo..


Estes breves instantes, entre um dia e outro dia, fazem da Noite um momento de partilha, tornam-na mágica e levam-me a um lugar dos sonhos, onde se realizam as metáforas, onde nos encontramos a cada Noite..

A luz desaparece com o cair do dia. As tonalidades transformam-se, são pedaços de luz que se escondem em cada curva, pelo sabor suave deste final de dia. E o tempo, que a duas velocidades cresce, levando a menina que sou a fazer-se mulher, levando a mulher a tornar-se deusa. Eu, sou apenas as letras que se empilham na sombra das pedras que calcorreamos todos os dias. Sou o murmúrio na brisa do vento que passa..

Sou um grão de areia, pedaço de rocha perdida, vagueado à deriva por entre as gotas do mar. Passa por mim a vida, correndo como rio até ao oceano. É do silêncio que nascem o som das letras, palavras que cantam numa melodia suave, frases que crescem e fazem-se mulher, fazem-se companhia na minha alma, fazem-se presentes no sonho que criei. E o mar, tranquilo e sereno que funde no meu olhar. A chuva, lágrima salgada que desprende-se sobre meu corpo. No final de tudo é a MORTE que vem e vai nos meus renascimentos e desejo de viver..

O mundo, é demasiado cruel para aqueles providos de asas, demasiado real, demasiado brutal. Hoje, entrego-me nos braços o meu corpo inerte, gelado e vazio, e parto, com a brisa do vento que passa..



domingo, 7 de junho de 2009

"Vou deixar a rua me levar.."

foi nesta música que pensei em ti..
foi nesta música que pensei em todas
as histórias que às vezes dificultam
o nosso caminho,
atrasam os nossos passos
e nos desarrumam..


"Não vou viver, como alguém
Que só espera um novo amor
Há outras coisas
No caminho para onde eu vou...
As vezes ando só
Trocando passos
Com a solidão
Momentos que são meus
E que não abro mão..
Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Para mim agora..
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você..
Mas tenho ainda
Muita coisa para arrumar
Promessas que me fiz
E que ainda não cumpri
Palavras me aguardam
O tempo exacto para falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir...
Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou para mim agora..."